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The Blood Spattered Bride - 1972


Dentro da vasta produção espanhola do gênero horror podemos acrescentar com todos os méritos esta bela produção. "The Blood Spattered Bride" (aka La Novia Ensangrentada, 1972) é uma adaptação do clássico conto de Sheridan Le Fanu, Carmilla, sobre vampirismo lésbico. Embora não tenha a qualidade e o cuidado de "Blood and Roses" de Roger Vadim ou a técnica do "Vampyr" de Carl Theodore Dreyer para esse assunto, "The Blood Spattered Bride" tem seus méritos e só não se expandiu mais pelo fato de não ter envelhecido o suficiente em comparação com os dois anteriores, mas é um incrível (e bizarro) filme sobre vampiras e sua ação sobre o destino através do sexo.


A sinopse é a seguinte. Após se casar com seu marido, Susan viaja com ele para a sua mansão isolada. O desejo sexual intenso do marido entra em conflito com a repulsa da esposa pelos seus jogos sádicos e fantasias sexuais causando uma série de desentendimentos entre o casal.


Para se desvencilhar do assédio do marido, Susan decide explorar a casa e nota que há somente pinturas de ancestrais masculinos e nenhuma de suas esposas até descobrir que as pinturas são guardadas no porão. Quando ela vê a pintura de Mircalla Karstein, também conhecida como Carmilla, sem o rosto, seu marido explica que Carmilla matou seu marido na lua-de-mel e portanto foi banida da família. Durante a noite, Susan tem pesadelos horríveis com Carmilla que mostram assassinatos brutais e sensuais cenas onde está nua nos braços da dama-vampiro.


Pela manhã, o marido de Susan encontra uma estranha mulher, que jazia enterrada nua na praia e a leva para sua casa, descobrindo logo após que ela é a lendária Carmilla e os pesadelos da pobre Susan começam a se tornar realidade por entre as paredes da antiga residência.

O filme é dirigido por Vicente Aranda, que, além de criar uma atmosfera gótica desde a abertura até o sangrento final, também elaborou um script surpreendentemente inteligente, que leva a premissa básica de idade em uma perspectiva totalmente diferente. A história é basicamente configurada como uma metáfora para mulheres descontentes com os seus maridos, e, às vezes, se assemelha ao padrão do filme "I Spit on Your Grave", só que com vampiros.


"The Blood Spattered Bride" também explora os temas da sexualidade reprimida. No


decorrer do filme o espectador se vê preso à um dilema: os aspectos sobrenaturais são apenas alucinações causadas pela frustração sexual da protagonista ou a vampira Mircalla realmente existe? Outro fator muito interessante é o da a maneira como os quadros aparecem em cada cena, ilustrados como signos de ambigüidade ou como peças do misterioso quebra-cabeças proposto pelo filme assim como a legendária cena da gaiola dos pombos onde o casal transa sob o olhar de uma ninfeta, filha dos caseiros da propriedade.


No geral, uma peça muito interessante e muitas vezes perturbadora do sub-gênero "lesbian vampire". Os fãs de Jean Rollin irão perceber a grandiosidade desta produção, já que tem um estilo semelhante ao do diretor, e é tão bom quanto qualquer coisa que ele já fez.


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