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The Bad Batch - 2016


ATENÇÃO: este texto contém spoilers


Finalmente decidi assistir o filme The Bad Batch de Ana Lily Amirpour (de A Girl Walks Home Alone at Night) e, apesar de uma premissa emocionante que apresentou algumas caras conhecidas como Jason Momoa, Keanu Reeves e um irreconhecível Jim Carrey o resultado foi, no mínimo, desanimador...


O filme conta a história de Arlen (Suki Waterhouse), uma ex-presidiária que vaga pelo deserto texano de um futuro apocalíptico onde os desajustados são tatuados com uma espécie de número de código e tidos como “lotes ruins” para a sociedade. Após caminhar a esmo pelo deserto usando apenas uma camisetinha e um shortinho de piriguete (e sem aparentar um pingo de suor ou cansaço) Arlen descobre que os “náufragos do deserto” se organizaram em sociedades improvisadas, duas das quais figuram de forma proeminente nas aventuras subseqüentes da garota. Primeiro, ela encontra um acampamento de fisiculturistas bronzeados canibais que escutam hits gays oitentistas em meio a reboques quebrados e detritos de aviões. O líder dos bombadões sanguinários é conhecido como Miami Man, um desenhista literato que faz hambúrgueres de carne humana e é interpretado pelo “dothraki” Jason Momoa. Arlen então é seqüestrada, drogada, acorrentada e convidada para jantar. Infelizmente ela é o prato principal.


Após uma atitude MacGyveriana, ela consegue escapar da cidade dos carniceiros e, novamente, se embrenha pelas areias quentes do deserto sem uma perna, um braço e deitada em um skate, um veículo muito funcional pra se utilizar em terrenos arenosos (sic).

Do outro lado de uma extensão de arenitos, não muito longe de onde os canibais se reúnem, existe um lugar chamado Confort. Um vagabundo murmurante (interpretado Jim Carrey e, provavelmente, a única coisa decente de todo o filme) socorre Arlen e a deposita na frente de seus portões. Os residentes desta zona (relativamente benigna) são mantidos seguros por guardas armados e muralhas feitas de contêineres de transporte e mantidas felizes frequentemente à base de psicotrópicos e música eletrônica. O patriarca de Confort (uma espécie de igreja, rave, Estado e indústria farmacêutica de uma só vez) é um clone brega do pastor Jim Jones chamado Dream (interpretado por Keanu Reeves), uma espécie de líder espiritual que planta maconha e possue um séquito de concubinas grávidas. Uma vez na cidade, Arlen recebe tratamento (e uma perna mecânica) e dedica a sua vida a se vingar do acampamento dos canibais matando a esposa do chefão e sequestrando sua filha pequena.

Tudo isso seria uma história interessante se não fosse uma repetitiva sucessão de caras e bocas de Suki Waterhouse, a monguice teatral do Sr. Momoa, a canastrice de Keanu Reeves em seu papel e uma cansativa exibição de tomadas no pior estilo MTV de ser. Ana Lily Amirpour realmente decepciona ao tentar impor um clima intelectual em doses tão cavalares que tornou o filme semelhante a um outdoor de manifestação hipster na Av. Paulista (o que é uma pena já que seu trabalho de estreia, A Girl Walks Home Alone at Night até chegou a me cativar apresentando um estilo de parábola vampírica diferente de tudo que já havia sido assistido). O desenrolar da história é confuso e sonolento e assemelha-se a uma grande colcha de retalhos produzida como se várias micro-tomadas experimentais fossem enxertadas para engordar a trama. Os personagens são vazios como o deserto do Texas e mesmo o Sr. Matrix ficou apagado como um figurante do Programa do Didi, apesar de ser apresentado como o Messias dos abandonados pelo País.

E se você acha que esta bagunça toda termina por aqui sinto em lhe informar que a trama dá um loop insólito onde a vítima começa a nutrir um sentimento amoroso pelo canibal num misto de The Hills Have Eyes Meets Twilight com diálogos e cenas tão absurdas quanto o restante da trama.


Em suma, The Bad Batch será conhecido como mais um “filme cabeça” para rodinhas de hipsters fãs de Ti West, com suas barbinhas de lenhador e bolsinhas ecológicas que, com sua vasta experiência em cinema, vão descobrir neste “samba do iraniano-americano doido” uma sequencia de mensagens subliminares tão importantes e definitivas quanto borras de chá ou formas deixadas pelas nuvens.

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