Riti, Magie Nere e Segrete Orge nel Trecento... - 1973

Com o peculiar, quilométrico e infinitivo título de “Riti, Magie Nere e Segrete Orge nel Trecento...“, também conhecido por aí por uma dezena de títulos alternativos que vai de “Reincarnation of Isabel” até “Black Magic Rites”. Dirigido pelo picareta Renato Polselli (aqui usando seu pseudônimo mais recorrente: Ralph Brown). 


Esta pérola começa com Jack Nelson (Mickey Hargitay) que compra um castelo num vilarejo e leva para lá sua família. O problema é que ocultistas locais querem reencarnar uma lendária bruxa chamada Isabel no corpo de sua filha Lauren (Rita Calderoni), não sem antes fechar um ciclo de sacrifícios de sete virgens, arrancando seus corações e olhos. 


A trama é aparentemente simples, apenas aparentemente. Isto por que Polselli, que assina não só a direção, mas é culpado pelo roteiro também, faz aqui uma confusão dos diabos. Ele embaralha tudo até não poder mais. Não há linearidade, várias cenas fora de contexto, quando não puramente dispensáveis, tudo colocado sem lógica ou critério, e em algumas passagens o espectador fica perdido em meio ao desenrolar do filme, criando um emaranhado caótico e surreal.


Se a história é desenvolvida de forma confusa (e até atrapalhada), pelo menos há aqui algumas cenas notáveis pela doideira geral, como as cenas risíveis de missa negra, com os participantes usando colants vermelhos e capa preta, lembrando o uniforme do personagem central do antigo seriado “O Super-Herói Americano”. Sem mencionar que lá pelas tantas citam até o pobre Drácula na história (o que justifica um dos títulos alternativos, “The Horrible Orgies of Count Dracula”). Um dos personagens aparece de capa preta mordendo pescoços, mas logo isso também acaba sendo deixado de lado no meio da bagunça toda. 

A fotografia em cores berrantes, acompanhado da trilha tipicamente setentista, dá o tom psicodélico, e claro, muita nudez feminina gratuita, sangue falso e algum lesbianismo, mas a grande referência aqui é mesmo Mario Bava. A trama não só parece um plágio de ”La Maschera del Demonio”, como o visual copia a fase colorida do Maestro, com toda aquela atmosfera e iluminação carregada de cores berrantes, só que aqui é tudo mais exagerado e chapado. Só na abertura da uma idéia da coisa: com os letreiros rolando enquanto ao fundo várias cores rodopiando num caleidoscópio alucinante, não devem fazer bem para bêbados e  epilépticos. O clima lisérgico e a confusão narrativa também lembram as loucuras de Jesus Franco.


No elenco destaca-se a Presença de Rita Calderoni (Nude per Satana), da coadjuvante Stefania Fassio, em seu terceiro e último filme, uma interpretação tão fake e exagerada que poderia constar em qualquer lista decente das piores interpretações da história do cinema, e,  claro, o protagonista, o megacanastrão Mickey Hargitay, falecido em 2006, ex-halterofilista húngaro, que entre suas façanhas destacam-se o papel de Hércules em “Gli Amore di Ercole” (1960) de Carlo Ludovico Bragaglia e o “clássico”, ridículo e impagável “Il Boia Scarlatto” aka “Bloody Pit of Horror" (1965) de Massimo Pupillo. Além de ter sido casado com a musa Jayne Mansfield, que para os mais recentes que nunca ouviram falar, foi uma loira voluptuosa que surgiu na esteira de Marilyn Monroe, de quem a imprensa dizia ser a maior rival. Mansfield se meteu com a Igreja de Satã de Anton LaVey e acabou morrendo, aos 34 anos, num trágico acidente de carro. 

O diretor e roteirista Renato Polselli, que depois cairia no cinema pornô, foi um diretor de baixo escalão, seu filme mais conhecido é o giallo psicodélico “Delirio Caldo” (1972). Aqui ele mostra uma inaptidão digna de um Andrea Bianchi (La Notte di Terrore, Massacre, Nude per l’Assasino) ou um Luigi Batzella (Nuda per Satana, La Bestia in Carole), ou seja, diversão garantida. 


Poderia até acusar a obra de soar pretensiosa, quando na verdade é incompetente mesmo. Mal escrito, mal dirigido e mal interpretado. Soando engraçado aonde deveria ser assustador. Sem falar que analisar desenvolvimento e aprofundamento é algo simplesmente inútil aqui. O mais interessante é que no meio de tanta ruindade, simplesmente não se consegue desgrudar os olhos da tela.

Com certeza os apreciadores do cinema "convencional" irão execrar isso, mas os escolados em bagaceiras exploitations européias dos anos 70 com certeza verão motivos suficientes para se deleitar aqui. Ideal para afugentar o tédio. 

 

Riti, Magie Nere e Segrete Orge nel Trecento... / Reincarnation of Isabel / Black Magic Rites (Itália, 1973)
Direção: Renato Polselli
Com: Mickey Hargitay, Rita Calderoni, Raul Lovecchio, Christa Barrymore, Consolota Moschera, Stefania Fassio.

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