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Zibahkhana - 2007


Zumbis e homens da classe trabalhadora em Burcas: temporalidade, traumas e o espectro da nostalgia em Hell’s Ground.


Em 2007, foi lançado o filme Hell’s Ground (Zibahkhana, dirigido por Omar Ali Khan), uma produção independente anunciada como “o primeiro filme de terror extremo do Paquistão”. Combinando clássicos conhecidos com o Massacre da Serra Elétrica e a Noite dos Mortos-Vivos com abundantes referências ao cinema de terror e de ação paquistanês, Hell’s Ground enfatiza em sua trama questões de classe social, ideologias conflitantes do Islã, globalização e saneamento público.


A trama segue como de costume no gênero. Depois de mentirem para seus pais e fugir para ver um show de rock, cinco adolescentes deixam o bairro suburbano de Islamabad e viajam sem rumo em uma van super bagaceira numa viagem desregrada. Como de praxe eles flertam e fumam maconha o tempo todo até serem surpreendidos por um velho louco que os alerta do perigo (Rehan), zumbis comedores de carne humana, um monge louco e um grotesco assassino vestindo uma burca (Burcaman, interpretado por Sultan Billa e um dos assassinos mais legais que já vi no cinema urdu). Tudo isso parece uma loucura, mas o filme não é apenas uma crítica simplista das questões sócio-políticas atuais no Paquistão; em vez disso, seus elementos narrativos e visuais criam ambigüidades poderosas, temporais e morais que resistem a essa interpretação superficial. Através de uma inteligente variedade de técnicas narrativas e visuais, Hell’s Ground rejeita as dicotomias simples (como o radicalismo islâmico versus sufismo gentil, por exemplo) e usa temporalidades borradas, momentos alegóricos fugazes e a invocação de uma nostalgia sinistra para oferecer uma crítica sofisticada sobre a relação entre o cinema e o Estado-nação.

Zibahkhana / Hell’s Ground recebeu críticas positivas após o seu lançamento. O Ain't Cool News elogiou o filme, chamando-o de "um dos filmes mais durões do ano". O revisor também citou que, embora o filme tenha suas falhas, principalmente por ser meio estúpido e previsível, "tem algo tão incrivelmente cativante que tem seu próprio lugar na linha de filmes de terror indie". O Dread Central premiou o filme com uma pontuação de 4/5, chamando-o de "um filme de terror genuinamente estranho e sombrio que transpõe temas narrativos familiares do gênero para uma estética cultural que poucos no Ocidente haviam tido um vislumbre anterior". O Film Treat deu ao filme uma crítica positiva, elogiando seus efeitos visuais efetivos e uma forte atmosfera noturna. O revisor ainda concluiu: "No geral, uma mistura de clichês de terror e humor para brincar com o espectador mantém Hell's Ground extremamente cativante para o público do horror".


No Brasil, Hell’s Ground foi premiado com o prêmio Melhor Filme pelo Júri no RIOFAN em 2008 e também no Festival Internacional de Cinema FANTASPOA em 2009.

CURIOSIDADES


• O ator veterano Rehan, que interpretou Drácula na versão paquistanesa do romance de Bram Stoker (Zinda Laash - Dracula in Pakistan - 1967), retornou à tela depois de mais de 30 anos para desempenhar o papel de Deewana em Zibahkhana - Hell's Ground.


• O diretor Omar A. Khan faz uma aparição como o fotógrafo da polícia na cena do primeiro crime.


• Najma Malik, que faz o papel de Bari Bua, é irmã da primeira protagonista do cinema paquistanês, Asha Posley.


• O clássico Punjabi Lollywood de 1979 é homenageado nas imagens que aparecem na van utilizada pelos jovens para ir ao concerto.


• Zibahkhana transformou a história do cinema paquistanês ao se tornar o primeiro título digital da HDV a receber um certificado de censura para lançamento geral no país.


• Os produtores do filme quase forçaram um dos zumbis a aparecer na música para que eles pudessem alegar ter "músicas de Mohammad Rafi" como parte dos créditos. Mohammad Rafi foi um dos cantores mais famosos da Índia. Mohammad Rafi é também o nome de um dos extras que interpretou um zumbi em Zibahkhana.


• O diretor Omar A. Khan ensinou pessoalmente todas os atores como os zumbis deveriam andar.

• Zibahkhana permaneceu por 10 semanas no cinema Cinepax de Rawalpindi, mais do que qualquer outro filme local desde a abertura do cinema, além de Khuda Kay Liye (2007).



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