Rasputin, The Mad Monk - 1966

March 4, 2019

 Texto publicado originalmente no site O Café

 

Grigoriy Yefimovich Rasputin (1869-1916) foi uma das figuras mais folclóricas malditas da história da Rússia. Este monge alegava poderes místicos, cura com as mãos e perícia no hipnotismo. Teve grande influência sobre o Czar e sua esposa Alexandra Feodorovna. Esse monge místico alegava ter poder de curar com as mãos e era perito no hipnotismo.

 

Rasputin já foi acusado de tudo: charlatão, beberrão, brigão, devasso (reza a lenda que fazia orgias com mulheres da alta sociedade russa). O fato é que sua história é recheada de fontes duvidosas e boatos. Escapou de algumas tentativas de assassinato, de facadas no abdômen à envenenamento, o que fez aumentar sua fama de que teria pacto com Satã. Isto até ser abatido numa armadilha mirabolante. Reza a lenda que antes de morrer teria amaldiçoado o Czar, e que a monarquia russa cairia. Não se sabe se foi realmente verdade, o fato é que apenas após alguns meses de sua morte se teve a Revolução Russa.

 

Claro que figura tão pitoresca não poderia escapar as câmeras do cinema. Em 1917, antes de completar um ano da morte do monge, sua figura já era representada em duas produções norte-americanas: The Fall of the Romanoffs e Rasputin, the Black Monk, com Edward Connelly e Montagu Love, respectivamente, nos papéis do famigerado monge. A partir daí Rasputin, como uma fênix do mal, apareceria de tempos em tempos em produções para cinema e tv.

 

Em 1966 a lendária produtora Hammer também soltou sua versão: Rasputin, O Monge Louco (Rasputin, The Mad Monk), estrelado pelo Drácula da casa, Christopher Lee, que se esbalda num papel diferente do que estava acostumado a fazer nos filmes da produtora. Obviamente, a obra, passava muito longe da precisão histórica, tanto que o filme vinha com um alerta: “Este é um filme de entretenimento, não um documentário. Nenhuma tentativa foi feita com precisão histórica. Todos os personagens e incidentes podem ser considerados como fictícios”. Na verdade a produtora estava com medo de acontecer o que aconteceu com a Metro-Goldwyn-Mayer, que tomou processo da princesa russa Irina Romanoff Yusupov, por causa do filme Rasputin e a Imperatriz (1933) que mostrava a nobre e o monge como amantes.
 

Aqui começa com Rasputin salvando uma mulher enferma, esposa de um taverneiro. Como recompensa ele bebe litros de vinho, pula dança e leva a filha do taverneiro para estrebaria, só que suas intenções acabam sendo frustradas por um pretendente da moça. Na luta entre o monge e o jovem, Rasputin amputa a mão de seu oponente. Hostilizado pela população e o clero local, o monge encrenqueiro resolve tomar novos ares e parte para São Petersburgo. Lá se instala na casa de um ex-médico alcoólatra (Richard Pasco), e acaba hipnotizando e seduzindo Sonia (Barbara Shelley), governanta do Czar.

 

É através de Sonia que Rasputin vê sua oportunidade de ascensão. Sob hipnose, a moça acaba causando um acidente no pequeno filho da princesa. Depois acaba curando o garoto, ganhando assim seu lugar de prestigio junto a nobreza. Claro que uma conspiração para matá-lo acaba se formando.

 

Dirigido por Don Sharp (O Beijo do Vampiro, Psychomania) e roteirizado por Anthony Hinds (usando seu habitual pseudônimo de John Elder), Rasputin, O Monge Louco foi filmado simultaneamente a Drácula, O Príncipe das Trevas, onde dividem elenco e cenários em comum. O filme foi lançado nos cinemas britânicos em programa duplo com outro filme da Hammer, A Serpente.

Christopher Lee fora da capa do Conde Drácula, está bem a vontade, brigando, dançando e pulando, seu Rasputin é um fanfarrão maquiavélico. Lee alegou que conheceu pessoalmente os assassinos do monge, assim como conheceu a filha do próprio, que elogiou sua atuação, dizendo que ele ficou idêntico ao seu pai (sim, Rasputin foi casado e tinha uma filha, coisa que o filme dispensou solenemente). Uma curiosidade: Rasputin serviu de inspiração para o personagem interpretado pelo argentino Alberto de Mendonza no cult de 1972, O Expresso do Horror, que curiosamente tinha no elenco Christopher Lee, além de Peter Cushing e Telly Savalas. Mendonza rouba o filme de seus colegas ilustres.

 

Longe de qualquer fidelidade histórica e sem longe de qualquer discussão política, Rasputin, O Monge Louco pinta o personagem como um fanfarrão vilanesco com poderes sobrenaturais, ou seja, uma obra apenas para diversão. Vale uma conferida, nem que seja para ver Christopher Lee se divertindo em plena forma.

 

(Rasputin, The Mad monk, Inglaterra / 1966)
Direção: Don Sharp
Com: Christopher Lee, Bárbara Shelley, Richard Pasco, Francis Matthews, Susan Farmer, Dinsdale Landen.

 

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