Scars of Dracula - 1970

July 17, 2019

O escritor irlandês Bram Stoker (1847-1912) foi o autor de uma das obras mais filmadas na história do cinema. Seu livro “Drácula”, lançado em 1897, contando a história de um terrível vampiro, tornou-se fonte de inspiração para a produção de centenas de filmes, com destaque para o clássico homônimo de 1931 da “Universal”, com o ator húngaro Bela Lugosi interpretando o conde vampiro, e para o igualmente clássico de 1958 da produtora inglesa “Hammer”, intitulado “The Horror of Dracula” (no Brasil, “O Vampiro da Noite”), com o ator inglês Christopher Lee no papel principal.

 

Bela Lugosi e principalmente Christopher Lee são considerados os atores que melhor encarnaram o vampiro Drácula e seus nomes foram consagrados ficando eternamente ligados a esse famoso personagem do horror. E juntamente com outros nomes importantes como Boris Karloff, Peter Cushing e Vincent Price (e em menor escala, John Carradine e Donald Pleasence), tornaram-se ícones insuperáveis do cinema fantástico.    
 
A produtora inglesa “Hammer” foi a responsável pelo ressurgimento do cinema de horror no final da década de 1950 e principalmente ao longo dos anos 60 até meados de 70. Entre as dezenas de filmes significativos do gênero, destaca-se a série de produções sobre vampirismo, especialmente com o personagem Drácula. Iniciando com “O Vampiro da Noite” em 1958, vieram depois “As Noivas do Vampiro” (
Brides of Dracula, 60), “Drácula: O Príncipe das Trevas” (Dracula: Prince of Darkness, 66), “Drácula, O Perfil do Diabo” (Dracula Has Risen From the Grave, 68), “Sangue de Drácula” (Taste the Blood of Dracula, 70), “O Conde Drácula” (Scars of Dracula, 70), “Drácula no Mundo da Mini Saia” (Dracula AD 1972, 72), e “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 73). Todos os filmes, com exceção de “As Noivas do Vampiro”, foram estrelados por Christopher Lee como o temível vampiro sugador de sangue. 

 

"Scars of Dracula" é o sexto filme da série, e o quinto com a participação de Christopher Lee. Considerado um dos mais violentos da saga inglesa de Drácula, foi dirigido por Roy Ward Baker, responsável também por outros filmes importantes da “Hammer” como “Uma Sepultura na Eternidade” (67), “Os Amantes Vampiros” (70) e “O Médico e a Irmã Monstro” (71), e também da rival “Amicus” como “Asilo Sinistro” (72), uma antologia com episódios escritos por Robert Bloch (autor de “Psicose”).

O roteiro de John Elder (na verdade, pseudônimo de um executivo da “Hammer”, Anthony Hinds), conta mais uma história dentro do universo ficcional de “Drácula”. O filme inicia com a ressurreição do vampiro, que estava transformado em cinzas, através do contato com o sangue de um morcego. Uma vez de volta à vida, o eterno “Príncipe das Trevas” Drácula (Christopher Lee) continua a matar as belas jovens do vilarejo vizinho de seu imponente castelo gótico, sugando-lhe o sangue pelo pescoço. Revoltados, os aldeões se reúnem e invadem o castelo ateando fogo na enorme estrutura de pedra, imaginando terem destruído o conde. 

 

Porém, ele escapa da tragédia e auxiliado por seu servo Klove (Patrick Troughton), ele recebe a visita inesperada em seu castelo de um jovem encrenqueiro, Paul Carson (Christopher Matthews), que estava fugindo da polícia de uma cidade próxima chamada Kleinenberg. Paul havia se envolvido num romance proibido com a filha do burgomestre local (Bob Todd) e estava sendo caçado por dois policiais (Toke Townley e David Leland). Chegando no vilarejo próximo ao castelo de Drácula, ele é bem recepcionado por Julie (Wendy Hamilton), empregada de uma hospedaria, mas é expulso pelo proprietário (Michael Ripper), indo parar involuntariamente no ainda imponente castelo, mesmo depois de avariado pelo incêndio do passado.

Paul é recepcionado por uma das escravas vampiras de Drácula, a bela Tania (Anouska Hempel), e logo torna-se prisioneiro e vítima do conde das trevas. Preocupados com seu desaparecimento, seu irmão mais novo Simon (Dennis Waterman) e a noiva Sarah (Jenny Hanley) partem a sua procura e chegando ao vilarejo são orientados pelo padre local (Michael Gwynn) para seguir até o castelo, onde serão ajudados pelo servo Klove (que nutre um sentimento platônico pela bela Sarah), e conhecerão não só a cordialidade e o cavalheirismo típicos de Drácula, como também a sua fúria assassina e sede de sangue, enfrentando um confronto mortal com o vampiro.


Algumas cenas são bem violentas, principalmente considerando-se a época da produção, destacando a carnificina realizada dentro de uma igreja, onde várias mulheres foram brutalmente assassinadas por morcegos sanguinários, com direito a olhos vazados, e rostos totalmente dilacerados pelas mordidas dos animais vampiros. Outro momento de forte apelo em termos de horror foi o assassinato da escrava Tania por seu mestre Drácula através de violentos golpes de faca, e seu posterior esquartejamento para dissolver seus orgãos em ácido, numa ação macabra do escravo Klove utilizando cutelos e serras para desmembrar o corpo da bela mulher. Hoje em dia, ocorrem banhos de sangue infinitamente superiores em diversos filmes de horror explícito, porém há mais de 40 anos atrás mesmo uma cena discreta de esquartejamento causava um impacto impressionante no público. 

 

Os efeitos especiais são extremamente precários, típicos de uma produção de baixo orçamento. Os enormes morcegos de olhos vermelhos, que possuem importante influência na história, são notavelmente criaturas artificiais, onde podemos visualizar sem grande esforço as cordas que os sustentam nos vôos. Mas o castelo em compensação é uma típica fortaleza gótica de pedra construída no alto de um penhasco, em interessantes cenários que recriam essas imponentes estruturas do passado.

Porém, o maior destaque realmente é a presença macabra de Christopher Lee como Drácula, encarnando magistralmente o vampiro da noite, dizendo poucas palavras e priorizando as expressões faciais, com seus olhos vermelhos de sangue reproduzindo o ódio e o mal absolutos. O ator, nascido em 1922 e falecido em 2015, ficou mundialmente conhecido e imortalizado por seus diversos papéis de vilão, principalmente na pele do Conde Drácula. Sua filmografia é vasta e variada, com centenas de filmes em seu currículo, sendo eleito em 2001 com um dos atores com mais participações, entrando para o cobiçado livro “Guinness” de recordes mundiais. Destacam-se em sua carreira os filmes de horror, como a série de vampiros da “Hammer”, além de outros como “A Maldição de Frankenstein” (57), “A Górgona” (64), “A Maldição do Altar Escarlate” (68), “O Ataúde do Morto-Vivo” (69), “A Casa que Pingava Sangue” (70), “A Essência da Maldade” (73), “O Homem de Palha” (73), “O Expresso do Horror” (73), “Uma Filha Para o Diabo” (76), e “A Mansão da Meia-Noite” (83), a maior parte ao lado de Peter Cushing, outro ícone do horror.

 

Em 1996, Lee foi merecidamente escolhido para apresentar um especial produzido para a televisão comemorando o centenário do cinema de horror, dividido em 14 capítulos. Ele também foi o único ator a interpretar todos os mais importantes personagens do cinema fantástico: desde a criatura de Frankenstein, o vampiro Drácula, passando pela Múmia, o vilão Fu Manchu, até o famoso detetive Sherlock Holmes. Christopher Lee teve outros momentos mágicos em sua carreira, com o privilégio de ser homenageado por vários cineastas importantes como Tim Burton, participando do seu excepcional “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (99), ou George Lucas, que lhe deu o papel do vilão Conde Dookan / Darth Tyranus em “Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones” (2001), ou ainda Peter Jackson, com sua participação no papel do vilão mago Saruman na fantástica trilogia “O Senhor dos Anéis”, baseada na obra homônima de J. R. R. Tolkien.


 

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